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“Todos os batizados têm o dever de anunciar Jesus Cristo”, afirma o Arcebispo de Porto Alegre

15611366Dom Jaime Spengler, Arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, escreveu um artigo com o título "A obra da evangelização". Em sua análise, o Prelado recorda que o Papa Francisco, recentemente, lançou uma Exortação Apostólica denominada "A Alegria do Evangelho". Segundo ele, através desse texto o Pontífice exprime suas preocupações neste momento concreto da obra evangelizadora da Igreja.

Para o Arcebispo, trata-se de um texto rico de sugestões, de indicações; traz diretrizes que possam encorajar e orientar uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo. Ele ainda explica que a publicação dessa Exortação Apostólica suscitou alegria, interesse, entusiasmo, atenção e também preocupações em alguns setores da sociedade civil, como também em setores da Igreja. Conforme o Prelado, os temas abordados pelo Papa são reflexo das conclusões do Sínodo de 2012 sobre "A nova evangelização para a transmissão da fé cristã", e estão baseados na Constituição Dogmática Lumem Gentium do Concílio Vaticano II.

"A obra da evangelização interpela todos os homens e mulheres de boa vontade, e acontece fundamentalmente em três âmbitos: o da pastoral ordinária; o das pessoas batizadas que não vivem as exigências do Batismo; e está relacionada com a proclamação do Evangelho àqueles que não conhecem Jesus Cristo ou que sempre O recusaram", acrescenta.

Dom Jaime esclarece também que todos os batizados tem o dever de anunciar Jesus Cristo, sem excluir ninguém; fazem-no não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível. Ele destaca que a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração, e essa tarefa tem por fundamento a experiência existencial do encontro com a pessoa de Jesus. Para o Arcebispo, tal experiência pressupõe a familiarização com a pessoa de Jesus!

Além disso, o Prelado afirma que quando, depois de um longo convívio, proximidade e intimidade, nos familiarizamos com coisas ou pessoas, estas se tornam próximas de nós; nós as conhecemos, nós as tocamos, mas também essas pessoas nos conhecem, nos tocam, se tornam a nós imediatas. Ele avalia que as pessoas que se nos tornaram familiares pressupõem de nós uma decisão de acolhê-las, de assumi-las; e na medida em que vão se tornando sempre mais próximas e familiares, exigem também de nós maior determinação em acolhê-las e assumi-las. "Esse envolvimento recíproco vai transformando nosso modo de ser, vai nos empenhando e, ao mesmo tempo, eleva nosso ser a uma qualificação até então desconhecida."

De acordo com o Arcebispo, a obra da nova evangelização requer proximidade, convívio e intimidade com a pessoa de Jesus; mas também das pessoas que se sentem tocadas, atingidas pelas palavras do Senhor, capazes de fazer novas todas as coisas. Dom Jaime lembra que Bento XVI afirmou que isso acontece porque, no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.

"A experiência do encontro com a pessoa de Jesus, a proximidade cultivada com Ele na vida do cotidiano, a intimidade com o seu Evangelho, a disposição de querer segui-lo, fazer-se seu discípulo, sua discípula, tudo isso vai forjando um modo de pensar, de viver e de conviver; vai qualificando de forma distinta nossa vida e a vida das pessoas com quem convivemos", completa.

Por fim, o Arcebispo de Porto Alegre enfatiza que a obra da evangelização certamente requer planejamento, método, pessoas dispostas; entretanto, requer antes de tudo, autênticas testemunhas do crucificado-ressuscitado. Para ele, essa obra pressupõe pessoas verdadeiramente apaixonadas por Jesus Cristo e seu Evangelho; pessoas que se deixaram tocar pela pessoa de Jesus; homens e mulheres que se deixam orientar pela Palavra que salva e concede vida.

"Quando, hoje, se fala em Evangelizar com novo ardor, novos métodos, novas expressões, qual caminho para construir a Comunidade de comunidades, precisamos todos, com coragem e determinação, orientados pelo Espírito Santo de Deus, nos deixar formar pela graça do Encontro com a pessoa de Jesus e seu Evangelho", conclui. (FB)

 

Fonte: Gaudium Press