Notícias

Francisco manifesta a sua dor ao rabino de Roma pelos jovens assassinados em Israel

O papa Francisco ligou ontem para a casa do rabino Riccardo Di Segni, médico e chefe da comunidade judaica de Roma, para expressar a sua dor e pesar pela morte dos três jovens israelenses assassinados por extremistas palestinos.

Os jovens Gilad Shaar, de 16 anos, Naftali Fraenkel, da mesma idade, e Eyal Yifrah, de 19, eram alunos de escolas religiosas judias. As famílias perderam o contato com eles no dia 12 de junho. Os três corpos foram encontrados neste fim de semana.

Conforme declarações do rabino Di Segni, reproduzidas pelo jornal romano “Il Messaggero”, o papa manifestou os seus pêsames e afirmou: “Rezo por eles”.

Di Segni afirmou que, quando escutou a voz do papa Francisco, pensou “que fosse uma brincadeira, porque não é uma coisa frequente”. Em ocasiões anteriores, foi ele quem procurou o pontífice.

O rabino contou ainda que, alguns dias atrás, os pais dos jovens sequestrados, antes da confirmação dos assassinatos, tinham lhe pedido que entrasse em contato com o Vaticano para solicitar que o papa os recebesse em audiência.

Nesta próxima segunda-feira, 8 de julho, eles chegariam de Israel para o encontro com Francisco. A informação era sigilosa, disse o rabino, mas agora, durante os oito dias do luto judeu, eles não terão nenhum tipo de atividade ou encontro. Di Segni declarou que o papa garantiu a sua disponibilidade para abraçar os pais dos jovens mesmo após a confirmação da tragédia.

No mesmo dia em que foram achados os corpos sem vida dos três jovens, a sala de imprensa da Santa Sé emitiu um comunicado com os pêsames do Santo Padre e qualificou o assassinato como “execrável” e como “um obstáculo para a paz”, além de recordar que “a violência gera mais violência”.

Funeral dos jovens

A comunidade judia de Roma convidou ontem os comerciantes a fecharem seus estabelecimentos durante uma hora durante o funeral de Eyal, Gilad e Naftali, enquanto o rabino Di Segni presidia uma cerimônia na sinagoga maior de Roma.

Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, presente na cerimônia fúnebre dos jovens, declarou que os sequestradores e assassinos “celebram a morte; nós, a vida. Eles louvam a crueldade; nós, a piedade. Esta é a base da nossa força”.

Os ministros israelenses debatem a resposta que darão ao crime, que poderá incluir uma nova ofensiva contra a Faixa de Gaza. É lá que se encontram as lideranças do movimento Hamas, acrônimo em árabe para o Movimento de Resistência Islâmica.

“Nós consideramos o Hamas responsável pelo sequestro e pelo assassinato dos jovens”, declarou o ministro israelense da Defesa, Moshe Yaalon, “e sabemos como acertar as contas".

Outro grupo islâmico reivindica a ação

Um grupo desconhecido autoproclamado “Partidários do Estado Islâmico”, ativo na Síria e no Iraque, reivindicou o sequestro e o assassinato dos três jovens israelenses em comunicado divulgado através de sites islamistas, mas Israel continua apontando para o Hamas.

O Hamas e seus braços armado e político

O Hamas é considerado um grupo terrorista por Israel, pelos Estados Unidos, pela União Europeia e por diversos outros países. O grupo tem um braço político e outro armado. O político chegou a um acordo com o atual presidente palestino Mahmoud Abbas, fato que, em 2 de junho, originou um governo de unidade palestino, reunindo o Al Fatah e o Hamas.

Depois dos sequestros, Netanyahu exigiu que Abbas anulasse o acordo de reconciliação feito em abril com o rival Hamas.

Operações militares de Israel

Nas operações de busca dos adolescentes realizadas pelo exército israelense na Cisjordânia durante as últimas três semanas, foram detidos dezenas de ativistas palestinos. Residentes locais asseguram que morreram ao menos seis palestinos durante as operações.

O exército de Israel, por sua vez, comunicou que seus aviões atacaram 34 posições islamistas na Faixa de Gaza, devido, afirmaram, ao lançamento de cerca de vinte mísseis palestinos nas últimas 24 horas.

 

Fonte: ZENIT