Formação

A escolha da vocação é trabalho árduo e desafiador", diz o Arcebispo de Porto Alegre

Com o título "Realização Pessoal", Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul, faz uma reflexão em seu artigo semanal sobre o fato de que vocação é distinto de profissão. Para ele, profissão tem a ver com habilidade técnica, eficiência produtiva, função social, reconhecimento e recompensa, e o que denominamos vocação toca uma dimensão mais profunda do ser humano e nem sempre goza de reconhecimento público.

De acordo com o Prelado, podemos perceber tal distinção em diferentes áreas do convívio humano e social, pois alguém que age por critérios meramente técnicos se distingue de alguém que, sem transcurar esses, age também por paixão, amor e prazer. Nesse âmbito, o Arcebispo reforça que o que importa é a própria arte. Ele ainda afirma que há distinção entre um técnico e alguém que age, digamos, por vocação, e isto se reflete no comportamento diário.

"O humano, em uma determinada fase da vida, é conduzido a se confrontar com uma escolha de vida, nem sempre fácil. O desafio de abraçar uma vida a dois, ou não; de se engajar numa forma de vida consagrada; de assumir um ministério ordenado. Ou mesmo o desejo de não se colocar a questão da escolha de vida e permanecer em uma espécie de indiferença", completa.

Dom Spengler enfatiza que a escolha de vida é também orientada por motivações diversas: contexto familiar, ambiente social, influência de alguém em especial, práticas tradicionais, ideologias etc. Segundo o Prelado, as motivações podem ser acidentais, banais ou podem estar "esquecidas" no inconsciente, podem ainda ser expressão de uma experiência profunda e decisiva ao longo da caminhada pessoal de vida. Ele afirma que a opção de vida pode estar condicionada por critérios sociológicos, psicológicos, pedagógicos, teológicos, pessoais.

"Nossos adolescentes e jovens precisam ser orientados e sustentados em suas escolhas de vida. É um direito deles e um dever da sociedade. É uma missão que toca a todos. Tarefa característica nesse trabalho possui a família, a escola e a Igreja. Qual é o pai ou a mãe que não deseja ver seu filho ou filha feliz, fazendo aquilo de que gosta, que o/a realiza? Também a escola pode, e muito, colaborar. Afinal, ela não tem simplesmente a função de informar, mas de formar para a vida", destaca.
Com relação a isso, o Arcebispo explica que a formação é algo diferente de informação e que aqui, talvez, se possa indagar pela função específica das instituições de ensino, pois também a Igreja, enquanto comunidade de fé, espaço de encontro de pessoas, pode e deve colaborar nessa tarefa.
Além disso, Dom Spengler ressalta que para nós, cristãos, o destino da existência humana é vocação de Deus, que inspira, orienta e sustenta. Conforme ele, a resposta de quem é Deus e como se dá sua escuta nós não podemos saber de antemão, assim como não podemos saber de antemão como algo calculável, previsível o que é vocação e como se dá a escolha.
"No dia a dia, podemos ir colher indicações de Deus, através dos fatos, da oração, da leitura da palavra sagrada e do diálogo entre irmãos e irmãs. Trata-se de um caminho que vamos realizando às apalpadelas. Não existem certezas absolutas. É preciso que pensemos e reflitamos sobre nossa vida, destino, realização, escolhas."
Por fim, o Prelado salienta que o que verdadeiramente interessa à pessoa é poder corresponder da melhor forma possível ao mistério de Deus e de Seu amor, que se expressa em situações concretas da vida. Para Dom Spengler, é mais ou menos como o artista no seu esforço de corresponder à inspiração; não importa o material que tenha à disposição ou as ferramentas, mas que a inspiração, de algum modo, ganhe expressão, contornos, formas.
"A escolha da vocação é trabalho árduo e desafiador. E não são poucos os que desistem. É decisivo ser perseverante até o fim. Nesse trabalho, é necessário colaboração, determinação, disciplina pessoal", conclui. (FB)

 

Fonte: Gaudium Press